Saudações caros leitores.
Após praticamente uns 6 meses de muita correria e prioridades, aqui estamos de volta para escrever sobre os temas abordados por este blog.
Para re-inaugurar os escritos por aqui, resolvi abordar um tema que é fundamental e abrangente nos negócios atualmente, e no qual eu exerço a minha carreira principalmente, ou seja caros leitores, nosso papo hoje é sobre gestão de projetos.
Mais especificamente falando, hoje eu vou abrir um espaço aqui para abordar os motivos pelos quais você deveria começar a pensar em gestão de projetos, independente de sua profissão ou graduação. Na verdade, no meu ver, a maioria dos cursos de graduação deveria oferecer o básico deste assunto em suas ementas e, até se você não é graduado (digamos que você é a futura nova estrela do country music) você deveria refletir sobre o assunto.

Gestão de Projetos é apenas para grandes corporações?
Provavelmente você já deve ter ouvido falar bastante em gestão de projetos nas corporações e ter visto muita gente procurando ou estudando para ser gerente de projetos o que pode até gerar imagem que gestão de projetos é só para grandes corporações, certo? errado.
Quando falamos um projeto, estamos falando de um determinado esforço que planejamos para, executar-lo, acompanhar-lo e obter um determinado resultado em seguida. Se você for parar para pensar, isso já acontece na sua vida e, provavelmente você faz intuitivamente, seja quando você pensa em comprar seu apartamento, organizar uma festa de formatura ou planejar um nova unidade de negócio em sua empresa.
Aqui mora a questão, o nosso mundo atual praticamente acabou com o modelo de rotina repetitiva e todos os dias estamos assistindo novos conceitos e tecnologias surgindo e caindo por terra. Em um mundo antigo, onde isto não acontecia com tanta frequência, era muito mais confortável seguir o fluxo dos dias, pois, como não haviam muitas mudanças, as coisas iriam se encaixando (para uns mais … para outros menos). Diante disto, o futuro e rotina em geral, era mais estável e fácil de prever, e com isso, o planejamento e controle dos projetos não era tão evidenciado, pois, em geral existia um caminho “default”.
No mundo atual, porém, as coisas ficaram diferentes, pois, com esta constante da mudança a cada segundo (mudanças muitas vezes bruscas demais), somos puxados para uma decisão para cada um de nossos objetivos, seja na vida pessoal, ou seja na vida corporativa.
Esta decisão é direcionar e orquestrar o caos na medida do possível, ou seja, planejar e acompanhar a obtenção de um objetivo através de um projeto, ou deixar a maré levar até aonde a sorte (ou azar) quiser.
Eu deveria tornar minha vida um grande projeto bem controlado? Não.
Qual seria o motivo de evidenciar que esta é uma decisão para cada objetivo ou ponto em separado?
Diferentemente de que na vida corporativa, onde praticamente tudo seria interessante seguir um controle na medida do possível (pelo fato que o controle e sucesso total é uma grande ilusão), na sua vida pessoal é muito comum existirem pontos que você não queira gerenciar e, que pessoalmente falando, seriam muito mais interessantes e proveitosos se você deixa-se estes ao acaso.
Desta forma, seria interessante para você provavelmente, ter um projeto para a compra de seu primeiro carro ou apartamento mas, talvez em diversas atividades da sua vida pessoal (algum projeto artístico, hobbies, etc.) não seria proveitoso colocar tudo em um plano controlado e, sim aproveitar o que o incerto pode trazer de uma forma mais lúdica e prazerosa, assim evitando torna-se um “ciborgue-planejador-mestre-dos-cronogramas”.
Algumas barreiras contra a adoção de um cultura de projetos nas pessoas e empresas…

É muito comum o medo de cair em burocracia desnecessária e, também considerável, devido à falta de bom senso que à vezes acompanha a burocracia no país e, sendo assim, é muito comum as pessoas e empresas reagirem com algo como “não quero engessar minha empresa / rotina” quando questionados se teriam interesse em aplicar algo de planejamento e gestão em seus projetos.
No entanto, a burocracia e disciplina, tomados com bom senso, e nos pontos certos, tem bastante a contribuir. Repito, com bom senso e nos pontos certos.
É aqui que mora o perigo, pois, mesmo quando você consegue superar a barreira e convencer uma empresa / pessoa a dedicar parte de seu precioso tempo em planejamento e gestão de projetos, é muito fácil se perder na euforia / falta de informação inicial e querer lançar de mão de tudo que a vasta bibliografia oferece e, com isso, realmente engessamos uma empresa ou vida.
Aqui entra o bom senso, pois o nosso tempo é o que temos de mais precioso e se esvai a cada segundo. Como brincava uma grande amiga comigo estes dias: passou agora, agora também e agora também (…).
Sendo assim, você deveria ir um passo de cada vez e avaliar o tamanho e complexidade do que quer obter, e outra pergunta importante: O quanto é interessante para você ter o controle.
Talvez você seja o dono de uma pequena empresa e realize pequenos projetos de software que levam um mês em média e, evidentemente, não seria válido para você para cada projeto lançar mão de todos os pontos e boas práticas que um PMBOK pode oferecer, e somente o necessário e alinhado com sua realidade, assim como, se você estiver tiver o desenvolvimento de um sistema ERP inteiro pela frente ou a obra de um complexo industrial, é bom começar a pensar em um planejamento, gestão e controle sólidos e muito bem revisados.
Pelo lado pessoal, se você está querendo investir para comprar uma casa ou construir a sua casa, é muito válido ter um planejamento que atenda suas necessidades, assim como existirão coisas na sua vida que não fazem sentido para você planejar ou ter controle.
Resumindo, ter bom senso e escolher os pontos certos, aonde o controle é válido para você ou sua empresa, e de acordo com a sua realidade.
Ainda continuando na vida pessoal, é muito comum, ouvir pessoas usar o argumento de que “já que tudo muda de nada se tem certeza é melhor não perder tempo planejando e seguir a maré”, o que não deixa de ser uma escolha pessoal válida à depender da volatilidade de seus objetivos ou do que ou quanto você para perder.
No entanto, cabe também o bom senso neste ponto, pois, de fato existem coisas na vida que são melhores (e necessárias) sem um controle formal, assim, como tem pontos que deveriam ser planejados, como talvez um estudante de graduação que deseje uma pós graduação e um carro, e que logo à depender dos recursos que tiver disponíveis, deveria considerar estes itens como projetos que deveriam ser planejados, executados e acompanhados na medida do possível, e de acordo com a realidade da pessoa.
O planejamento e controle de seus projetos vai resolver seus problemas por completo? Não.
Evidentemente, ter a cultura de planejar e acompanhar com bom senso os pontos certos de sua empresa / vida, não vai resolver todos seus problemas, evitar imprevistos ou impedir que as coisas mudem de uma hora pra outra, pois elas vão continuar mudando.
A questão é: Se você tem uma boa base e um plano com algumas alternativas e o amanhã vier com uma mudança brusca, provavelmente você terá problemas, mas, provavelmente terá uma idéia de para onde ir ou o que fazer inicialmente. Não se trata de evitar a selva, mas sim ter uma noção, preparação básica e norte para atravessar-la…
… e claro. Aproveitar a viagem e acaso também.
Um grande abraço a todos.