sábado, 20 de agosto de 2011

Quando um bom conselho sai pela culatra

Provavelmente o leitor já ouviu aquela historinha de que “se conselho fosse bom ninguém dava de graça” e, que nos remete ao fato de que na opinião de muitos o ato de aconselhar é perda de tempo e que termina impulsionando à pessoa realizar exatamente o contrário e de forma pior.

A boa notícia é que conselho, quando inteligente e verdadeiro, é bom sim e pode impulsionar às pessoas que você convive (colegas de trabalho, subordinados, amigo, namorada, etc.) a tomarem ou mudarem atitudes que causem melhoras nas suas vidas. Por outro lado, a má notícia é que a maioria das pessoas realiza o ato de aconselhamento da forma errada pelo fato de outra má notícia. A maioria das pessoas não gostam de perceber que estão recebendo um conselho explicitamente, e, desta forma, se sentem piores e magoadas, como se fossem motivo de pena e ajuda por baixo rendimento ou mal comportamento. Sendo assim, o tiro sai pela culatra.

Se conselho fosse bom ninguém dava de graça. Será?

Se conselho fosse bom ninguém dava de graça. Será?

O caso é tão sério que psicólogos da universidade de Minnesota (USA) publicaram um estudo chamado “Getting under the Radar: A dyadic view of invisible support” (publicado em dezembro no psychological science journal) e que mostra que o ato de aconselhamento torna-se mais eficaz quando o provemos de forma “invisível”. Tal estudo tinha foco em casais mas sua utilização é comum para outras situações como liderança no trabalho, família, amigos, etc.

Então o caro leitor, que assume algum posto de liderança em sua carreira ou simplesmente está querendo o melhor de alguma pessoa que gosta, vai perguntar como será possível então aconselhar uma pessoas, já que deixar de aconselhar não é bom e, se aconselhar ainda corre o risco de causar o pior ou virar alvo de uma vingança do ego ferido. Como será possível aconselhar de forma invisível? Deixar mensagens anônimas na secretária eletrônica? Biscotinho chinês da sorte? Sorte do dia no Orkut? Definitivamente não.

A verdade é que o conselho bem dado é aquele natural, espontâneo e verdadeiro, e, se formos analisar em boa parte dos momentos em que aconselhamos, o conselho termina soando ensaiado ou ruidoso demais (algo como: Olha eu sou bonzinho e vou te ajudar já que você não consegue fazer sozinho). É exatamente disto que devemos fugir quando queremos proporcionar um conselho que seja eficaz.

Um exemplo de como palavras ensaiadas ou ruidosas podem acabar com as boas intenções é o caso clássico em um casal, onde ele ou ela suspiram ao ouvir as palavras mágicas “eu te amo”, mas, caso essas palavras pareçam uma obrigação ou simplesmente ensaiadas para manter aparência, o tiro sai pela culatra outra vez.

Chegando ao ponto:

  • Trabalhe mais a linguagem corporal;
  • Forneça sugestões perguntando a opinião da pessoa, de forma que ela chegue na conclusão do que o seu conselho quer proporcionar e participe da descoberta e tome a decisão;
  • Evite elogios em excesso. Elogie de forma sutil e somente quando a pessoa realmente merecer;
  • Relembre algo que a pessoa já disse ou feitos do passado que tenham efeito positivo na direção em que quer impulsionar-la;
  • Trabalhe em gestos sutis como um bom aperto de mão ou sorriso;
  • Evite o famoso “tapinha” nas costas traiçoeiro;

E você? Concorda com isso? Já viveu alguma situação parecida onde aconselhou ou foi aconselhado?

Um grande abraço a todos!

Fonte: Havard Business Review (dezembro, 2010)

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